Rio/Salvador. Itapemirim, a viagem!

27 08 2008

Ônibus. Crianças no ônibus. Muitas crianças no ônibus.
Ônibus. Vinte e cinco horas no ônibus, com muitas crianças no ônibus.

Com um pequeno atraso – insignificante, diga-se de passagem – saímos do Rio de Janeiro, rumando a Salvador. Espantei-me ao perceber como tinha um monte de baianos no ônibus que ia para a Bahia. Baianocas, baianas cariocas, e Baianuchos, baianos gaúchos, compartilhavam o ambiente com baianos de outros estados.

O melhor era imaginar as baianas dançando um funk, o que não seria muito estranho, mas um pouco exótico, e, o que é mais engraçado, imaginar a mistura dos sotaques do baianucho. Poderia ser algo como: “Mas bah!! Que pimenta arretada mãinha!”. Ao que a mãe poderia responder: “Não te faças de cão chorengo, tu não honras tuas bombachas tchê? Oxi Oxi Oxi Oxi Oxi!”. Estes “OXIs” são pronunciados na incrível Velocidade Cinco!!

Enfim, a viagem prossegue. “O mãããããe, eu to cum foome!!”; “Mãinhê, o moço num vai pô mais filme?”; “Quero fazê xixi mãe!”, e, o pior argumento de todos: “ESPAÇO RESERVADO PARA UMA ENORME ONOMATOPÉIA DE CHORO DE BEBÊ COM VÁRIOS PONTOS DE EXCLAMAÇÃO. VÁRIOS MESMO”.

A viagem durou só um dia, mas eu tenho a impressão de ter almoçado umas doze ou treze vezes. Mas foi em uma parada para uma das jantas que o negócio começou a virar farofa. Parada essa em que um bom cidadão deixa seu celular dando bobeira no banco do ônibus, e sai para passear. Imaginem que quando ele volta o celular não mais está lá: “HERMANOTEU, VÉÉÉÉI!!! O HOMI VIROU UMA FERA!!!”. Discretamente, acusou uma mulher que estava antes sentada ao seu lado, mas que só se retirou dali por não conseguir dormir graças ao ronco do sujeito;

Ele encontrou um policial dando bobeira pela rodoviária, prestou queixa, aí pronto: “Vamos estar tendo que estarmos revistando o ônibus”, foi a fala que eu imaginei quando o puliça entrou no carro. “Boa noite senhoras e senhores, tomaremos as providências cabíveis para a resolução do caso ser o mais breve possível; Queremos evitar o constrangimento de ter que revistá-los, por isso estamos tentando encontrar outra solução”, foi a fala que eu ouvi quando o policial entrou no carro.

“ESPAÇO RESERVADO PARA UMA OUTRA ONOMATOPÉIA DE CHORO DE BEBÊ COM VÁRIOS PONTOS DE EXCLAMAÇÃO”. As crianças já não sabiam por que ficar tanto tempo paradas num só lugar. E eu já não sabia o por que de ter tanta criança no ônibus. Ô povinho que gosta de fabricar bebê, já reparou?

Depois de ser questionado por um dos passageiros se valia a pena fazer tanto caso por um celular de cem reais, e de ter respondido que não custava cem reais, e sim menos que isso; e também depois de ter virado motivo de piada do restante dos passageiros por esta resposta; também depois de perceber que havia muitas crianças dentro do ônibus para ele estar demorando tanto; e depois de perceber que a sua viagem estava fadada ao sarro dos passageiros e ao choro das crianças; e depois de perceber que isso pioraria em direta proporção ao tempo que ele demorasse, ele cedeu: foi embora sem o celular, e retirou a queixa.

“ESSE CELULAR É BOM NÉ? TEM CÂMERA E TUDOOO. QUERIA TAANTO UM CELULAR DESSES PARA MIM”. Olho goooordo”. Dessa e de outras foi escutando até seu destino.

ÔNIBUS ATRASADO POR CONTA DE FRESCURA DE PASSAGEIRO.
ÔNIBUS COM MUITAS CRIANÇAS A BORDO. TIPO, BASTANTES CRIANÇAS!

Era tanta crinaça, que quando eu adormeci sonhei; sonhei que em uma parada eu pegava minhas malas e corria para o aeroporto, embarcava no primeiro avião rumo a Salvador e, quando já no ar, o avião parava para a entrada de alguns mascates. Detalhe, eles vendiam répteis. “COBRAS DE TODOS OS TAMANHOS, CORES E IDADES! APROVEITEM, SÓ HOJE, NA COMPRA DE DUAS COBRAS VOCÊ LEVA ESSE CONJUNTO DE SAPINHOS E UM CAMALEÃO, QUE É ÓTIMA PEÇA DE DECORAÇÃO!”. Achei melhor acordar e seguir de ônibus.

“BOA NOITE SENHORAS E SENHORES, EU SOU O AMBRÓSIO (nome fictício) E CONDUZIREI VOCÊS ATÉ A CIDADE DE SALVADOR. O TEMPO ESTIMADO DE VIAGEM É DE 14H”.
Espera ae!! 14 horas? Não eram só 12?
QUATORZE. ISSO SE O TRÁFEGO DE CAMINHÕES NÃO ESTIVER MUITO GRANDE.

Todo mundo coçando a cabeça, sem entender o porque da discrepância entre as informações. Mas.. ah, como é fácil entender. O motorista era um roda presa. Provavelmente queria nos fazer apreciar a paisagem; e como queria… Não estou querendo dizer que ele dirigia como um velhinho, mas sim que até os velhinhos que o ultrapassavam já estavam mandando ele ir tomar bem no centro do olho do c* dele.
“PISA O PÉ MOTÔ”, gritava o baianucho; “Pisa o pé motôôôô”, replicava uma baianocazinha, com o seu sotaque sotero-carioca.

O MÃÃÃE, TA CHEGANDO??….. E AGORA MÃE?
MANHÊÊ, FALTA MUITO? … MAS VC FALOU ISSO UM TEMPÃO ATRÁS!!

Ônibus. Crianças no ônibus. Muitas crianças no ônibus.
Ônibus. Agora já mais que vinte e cinco horas no ônibus, com muitas crianças no ônibus.

Feira de Santana. Opa, estou perto de Salvador. Estou perto de Londres e de Paris também; afinal, estou ou não estou em Feira de Santana? O Bira diz que tudo é próximo a Feira, e o argumento do Bira tem tanto peso quanto o do Fantástico ou do próprio Jô Soares;

Descobri que Bira estava certo, e mandei uma mensagem a Felippe, pedindo para preparar a água, que eu estava chegando.

Chegando lá, mas que loucura, água gelada, limão, e mucha yerba buena para un mate helado! Tereré de boas vindas a Salvador. A tarde choveu; e foi só tereré e papo furado mesmo, como há muito não o era.

No outro dia, preparamos uns ‘nachos livres’, cujos detalhes da preparação e d’outras coisas conto em outro dia. Só digo que, com uma pimenta vermelhinha, conheci a Bahia toda em uns 2 minutos!

Não percam o próximo episódio: Dois amigos alto-astral, preparando tererés do barulho, e nachos apimentados que não são brincadeira, enfrentando chuvas da pesada, descobrindo cinemas pra lá de acertados, numa viagem que é pura emoção!!

Ah, encontrei meu pen drive e minha câmera. Da próxima vez deve ter fotos no post; eu acho.


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6 responses

27 08 2008
lumpenista

Quanta criança. Demonstra que somos um país jovem, e que o acesso as tecnologias ainda não é para todos, apesar do barateamento, no comércio de televisões, vemos que não somos capazes de comprá-las.
Cara Bahia não é só pimenta. Da Bahia eu trouxe todos os cheiros, o de pimenta, o do mar, o do dendê, o do sol queimando, o da brisa, o da urina e o de esperma nos becos e vielas daí a fora.

27 08 2008
RON

A pimenta foi o portal. Depois explico x)

27 08 2008
Monique

Velho, do jeito que tu fala…a viagem nem parece uma tortura.
Elaiá meu Brasilzão da POrra!

Altos textos!

29 08 2008
Iara

Suspeita sou eu em falar de você e do jeito que escreve…
mas posso dizer que estou curiosissíma para saber o restante de suas aventuras, as quais possuem um certo “je ne cest quoi” de onirícas…

7 06 2009
shirlei

“Ô povinho que gosta de fabricar bebê, já reparou?”
Ridículo!!!
O certo seria ” o paizinho que não valoriza a saúde e tampouco se preocupa com planejamento familiar e educação dos menos favorecidos”!
E vc é tão ignorante quanto!

7 06 2009
caixeiroviajante

Prazer,

Rodrigo.

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